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25 de novembro de 2015
UE decide se está pronta para trocar ofertas com o Mercosul
 

O Embaixador João Gomes Cravinho, Embaixador da União Europeia no Brasil, acredita que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) será concretizado. O importante, segundo Cravinho, não é data da troca de ofertas, mas que as propostas sejam suficientemente sólidas de ambas as partes. Nesta sexta-feira (27/11) ocorrerá uma reunião importante em Bruxelas, onde os ministros do comércio da UE vão decidir se há condições para trocar ofertas imediatamente ou se é preciso algum trabalho antes dtroca formal.

Cravinho assumiu a frente da Delegação em Brasília em julho deste ano e conversou pessoalmente com Samla Da Rosa, representante da EUBrasil. O embaixador foi Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal entre 2005 e 2011, e seu último posto foi como Embaixador da UE na índia, onde estava desde 2011.

EUBrasil: Em 2014, os investimentos europeus no Brasil corresponderam a mais da metade do investimento estrangeiro no país. O senhor acha que o momento político que o Brasil está vivendo terá impacto na atração de investimentos?

Cravinho: Em primeiro lugar, os investidores europeus olham a médio e longo prazo, portanto, é verdade que se olharmos para as bolsas, vemos flutuações de um dia para o outro de acordo com o sabor da ocasião. Mas, o que os empresários europeus me dizem é muito positivo. Em matéria de investimento, os investidores não pensam tanto no que acontecerá amanhã no Congresso, são questões que não são determinantes para os investidores. Eu creio que isso explica a continuidade do investimento elevado da UE no Brasil e reflete a confiança que o empresariado europeu tem a médio e longo prazo. Claro que se a situação econômica continuar assim durante muito tempo, vai haver uma decaída. Não tanto por causa do futuro, mas porque se vive neste momento um aumento de insuficiente utilização da capacidade existente.

EUBrasil: Na sua opinião, esse momento de turbulência política brasileira pode afetar o curso da agenda para a troca de ofertas Mercosul-UE?

Cravinho: Quando estabelecemos um acordo comercial, não é um acordo para 1 ano ou 2, não é como resposta a uma conjuntura, mas sim um acordo para 20 / 30 anos, que vai marcar um longo período de tempo. Não é segredo que o Brasil passa por um momento complicado politicamente, mas o importante é ter essa perspectiva a médio e longo prazo, e eu acredito que as negociações comerciais possam acontecer ao longo do ano de 2016, por que são negociações que nos preparam bem para tirar todo o proveito de circunstancias mais favoráveis.

EUBrasil: Mas o senhor não acha que cumprir a agenda anunciada é importante, principalmente porque essa negociação já dura 15 anos?

Cravinho: É certo que em junho, os ministros do comércio e a Comissária Cecilia Malmström indicaram vontade de trocar ofertas em 2015, estamos a 6 semanas do fim do ano, talvez ainda seja possível, talvez seja só na primeira parte de 2016, mas no fundo, dentro de um prazo relativamente curto vamos trocar ofertas e vamos dar início a um período que queremos que seja de intensa negociação com vistas a chegar a um acordo.

O que é fundamental é que as ofertas sejam suficientemente sólidas de parte a parte para chegarmos a um entendimento e abrir caminho para um trabalho intenso com o objetivo definido de chegar a um entendimento o mais rápido possível; para depois ter todo o processo mais complexo de triagem pelos juristas de cada lado e ratificação pelas instituições competentes.

Gostaria de sublinhar que não estamos discutindo se haverá ou não uma troca de ofertas, mas quando. Devemos relativizar esta questão de datas, porque se não for neste momento será em breve, daqui a 1 mês, 3 meses, isso em última instância acaba sendo pouco significativo. O fundamental é que as ofertas permitam concretizar a meta que é chegar a um acordo.

EUBrasil: Quando se fala em ofertas sólidas de parte a parte, significa sentar na mesa com pelo menos 90% ou a UE aceitaria trocar ofertas com uma proposta do Mercosul a 87% de abertura de mercado?

Cravinho: É uma conversa um pouco esotérica discutir o que é estar próximo dos 90%, até porque o percentual de abertura é um indicador importante, mas devemos ver o que está dentro da oferta e o que está fora, quais são os prazos acordados para a desgravação das portas aduaneiras. Não é só uma questão de porcentagem. É um fator, mas existem outros elementos. Nós olhamos com confiança para os próximos meses, e eu creio que nessa semana e na próxima, teremos reuniões importantes em Bruxelas; dia 27 de novembro os ministros do comércio da União Europeia vão se reunir para decidir se há condições para trocar ofertas já ou se é preciso algum trabalho antes de uma troca de ofertas formal. O que é significativo na oferta, serão os prazos de desgravação: justos, rápidos e o volume de comércio que deverá ser liberado.

EUBrasil: Como o senhor avalia a relação Brasil-UE?

Cravinho: O nosso relacionamento (Brasil – UE) é cada vez mais político. Isto é, cada vez mais trocamos mais ideias, exprimimos preocupações e ganhamos com os conselhos de cada um sobre questões de matéria política. Nós (UE), vivemos numa vizinhança complicada com a Rússia, por exemplo, que apresenta algumas dificuldades em encontrar seus caminhos; à sudoeste temos uma situação terrível vivida pela Síria e conflitos pelo meio oriente, problemas na Líbia e a procura de um novo equilíbrio por alguns países do mediterrâneo. No caso do Brasil, a região em que está inserido também faz com que o país viva momentos complicados, como exemplo com a situação da Venezuela. Isso faz com que haja mais interesse de parte a parte em falar das preocupações com as regiões.

EUBrasil: Quais são os projetos importantes na relação bilateral por temas?

Cravinho: Eu recebi em um mês a visita do Comissário Europeu para a Investigação, a Ciência e a Inovação, Carlos Moedas, do Comissário do Clima e Energia, Miguel Arias Cañete e do vice-presidente da Comissão Europeia Andrus Ansip, responsável pelo Mercado Único Digital. Essa sequência de visitas de alto nível vem identificar claramente aquilo que é uma gama muito alargada de interesses que existem no relacionamento UE-Brasil. Temos questões relacionadas com o meio ambiente e sustentabilidade das grandes cidades, que abre inúmeras possibilidades de trabalho em conjunto e para o mundo empresarial.

EUBrasil: Governança da Internet.

Cravinho: A UE e o Brasil defendem a neutralidade da internet, defendem que a internet deve ser aberta, estável e acessível a todos e ambos estão sincronizados e sintonizados nesse tema, a agenda é positiva e a pauta é comum. Esta agenda e a maneira como se resolvem estas questões vai ser determinante para os 7 bilhões de habitantes deste planeta. Ambos estão preocupados com questões de cyber segurança, privacidade do usuário dentre outros temas. Temos uma grande semelhança de pontos de vistas e juntos, uma grande capacidade de influenciar os outros.

EUBrasil: Mudança Climática.

Cravinho: Não temos uma convergência total de pontos de vistas, mas temos um entendimento e a capacidade de fazer algo. O Brasil ganhou muitíssimo respeito internacional pela forma como apresentou seu INDC (Intended nationally Determined Contributions), ou seja, aquilo que o Brasil propõe fazer para amenizar as questões como o desmatamento, emissão de gases, apresentado pela presidente Dilma Rousseff em Nova Iorque, em setembro. E, por outro lado, o Brasil também tem uma grande capacidade de interlocução com a China, com o G77, com a Índia e outros países com outras perspectivas e agendas. Então, olhando para aquilo que é a posição da UE como principal líder -financiador do combate às mudanças climáticas e a posição que o Brasil tem, eu estou convencido de que em Paris a relação bilateral jogará um papel importante na geração de um consenso internacional.

* Brasil: está entre os 10 principais parceiros comerciais da União Europeia (UE). A UE é o principal parceiro do Brasil, sendo responsável por 20% das exportações totais. A UE é o maior investidor estrangeiro no Brasil, com investimentos em diversos setores da economia brasileira. Cerca de 50% dos fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) recebidos pelo Brasil nos últimos 5 anos se originaram na UE.

* Mercosul: A UE é o maior parceiro comercial do Mercosul, representando cerca de 19,8% do comércio total do Mercosul com o resto do mundo. É também o maior investidor estrangeiro na área, em 2013, foram 110 bilhões de euro.

Fonte: EUBRASIL


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